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Collor se diz 'humilhado' e afirma que Lava Jato 'extrapolou' os limites
14/07/2015 21h53
O senador Fernando Collor (PTB-AL) fez um discurso inflamado na tribuna do Senado nesta terça-feira para avisar que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao “orquestrar sordidamente” o “arrombamento” em suas residências, o havia humilhado, mas disse que “intimidado, jamais”.

Hoje eu fui submetido a um atroz constrangimento junto com minha família. Fui humilhado. Depois de tudo que passei, eu tive que enfrentar uma situação jamais por mim experimentada. Sofri um extremo desgaste emocional e mental com minha mulher e minhas filhas de nove anos. Podem me humilhar! Fui humilhado. Mas podem ter certeza: intimidado, jamais", discursou Collor diante de um plenário absolutamente silencioso ao final de sua fala.

A operação da Polícia Federal em seu apartamento funcional e na Casa da Dinda, sua outra residência — onde foi apreendida uma frota de carros de luxo — foi caracterizada por Collor como truculenta, que extrapolou todos os limites do estado de direito, os limites constitucionais e os limites da legalidade. Collor repetiu uma série de ataques ao procurador Rodrigo Janot, a quem acusou de ter orquestrado a invasão de suas propriedades para levar os carros pelas ruas de Brasília até a sede da PF e tentar vincular a compra legal dos automóveis às denúncias a ele “maldosamente” imputadas.

"O objetivo foi me constranger, me intimidar e promover uma cena de espetáculo midiático. Meus carros foram levados à PF de forma absolutamente irregular. Foi um conluio da mídia com o Ministério Público para oferecer a opinião pública, de forma maldosa, um juízo equivocado dos reais acontecimentos", protestou Collor. Collor protestou especialmente contra a apreensão dos veículos de luxo na Casa da Dinda — um Porsche, uma Ferrari e um Lamborghini — e disse que foram comprados e declarados legalmente, antes das denúncias que responde, e sem ainda ter sido denunciado.

"Após dois anos de investigação evitar destruição de provas? Provas de quê? Veículo não é documento, não é computador", reclamou.

O senador alagoano qualificou a operação da PF de hoje como um retrocesso no processo democrático. Disse que a operação “policialesca” teve o objetivo de alimentar o clima de terror e perseguição para tentar intimidá-lo.

"Buscas, invasões, apreensões, arrombamentos como os de hoje são um retrocesso, a volta ao estado de exceção, volta à ditadura, agora, do Ministério Público", comparou Collor.

No discurso que não teve nenhum aparte ou apoio dos outros senadores, Collor voltou a repetir acusações contra Janot. Disse que já vem denunciando há algum tempo “crimes e falcatruas” do procurador-geral.

FONTE: Correio24horas
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