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Lava-Jato: advogado de Gleisi recebeu R$ 7,2 mi de investigados
14/08/2015 09h26
Investigações da 18ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta quinta-feira (13), revelaram que escritórios do advogado Guilherme Gonçalves, responsáveis pela coordenação jurídica de três campanhas da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), em 2008, 2010 e 2014, receberam repasses que totalizaram R$ 7,2 milhões de empresas suspeitas de envolvimento no esquema de pagamento de propina por meio do Ministério do Planejamento. Segundo a Polícia Federal, os recursos eram desviados de operações de empréstimo consignado operadas pela empresa de tecnologia Consist Software, com posterior distribuição para operadores de fraudes em contratos na Petrobras.

Transferências de dinheiro suspeitas passaram a ser detectadas pelos investigadores depois da assinatura de acordo de cooperação técnica envolvendo o Planejamento, a Consist, a Associação Brasileira de Bancos e o Sindicato das Entidades Abertas de Previdência Privada. À época da formalização do acordo, em 2010, o ministério era comandado pelo ex-deputado Paulo Bernardo (PT-PR), marido de Gleisi.

Foi a partir daí que a Consist passou a gerir o sistema de empréstimos consignados na pasta, a partir de dados de servidores federais. A remuneração da empresa de tecnologia era custeada por bancos por meio de uma parcela da amortização mensal de cada empréstimo. O Ministério Público levanta a hipótese de que cerca de R$ 53 milhões repassados pela Consist a empresas apontadas por operadores do petrolão configuravam propina pelo direito tutelar as operações financeiras junto ao Planejamento. Tais operadores seriam, segundo a investigação, o ex-vereador de Americana pelo PT Alexandre Romano, preso nesta quinta-feira (13), e Milton Pascowitch, um dos delatores da Lava Jato.

A PF acredita ainda que os pagamentos aos escritórios que orientavam juridicamente as campanhas de Gleisi foram solicitados por Romano. Os investigadores descobriram que o escritório de advocacia Guilherme Gonçalves & Sacha Reck Advogados recebeu, entre setembro de 2010 e janeiro de 2013, R$ 4,6 milhões diretamente da Consist. Em outro pagamento, entre janeiro e abril de 2012, foram transferidos R$ 423 mil para o escritório. Além desses repasses, uma outra firma do grupo Consist, a SWR Informática, transferiu um total de R$ 1,2 milhão entre fevereiro de 2013 e janeiro de 2014.

Os escritórios Oliveira Romano Sociedade de Advogados, do próprio Romano, e Portanova Advogados Associados também foram alvo de mandados de busca e apreensão da PF. Nesse caso, R$ 270 mil foram transferidos pela Consist Business entre janeiro e maio deste ano.

Ainda segundo os investigadores, a Consist subornou o PT para ser contemplada como operadora do sistema de empréstimos no Planejamento. A negociata foi intermediada justamente por Romano e Pascowitch, dois operadores indicados pelo ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto, preso desde 15 de abril.

Esclarecimentos

A senadora recorreu ao Facebook para negar qualquer tipo de participação sua ou de seu marido no caso. “A Polícia Federal NÃO atribui a mim ou ao Paulo envolvimento no caso”, diz trecho da postagem feita por Gleisi na rede social (veja a íntegra abaixo). Por meio da assessoria, a petista disse ainda que o advogado, ex-militante do PT, atua em suas campanhas desde 2008, dois anos antes da assinatura daquele acordo de cooperação técnica no Planejamento.

Já Guilherme Gonçalves diz ter tomado um “susto” ao ver seu nome mencionado na Lava Jato. Ele confirma que prestou serviços à Consist, que o pagava periodicamente pelos préstimos, mas nega qualquer tipo de irregularidade. “Eu tenho contrato, impetrei ação em Goiás, fiz parecer jurídico, fiz consultoria. O que eu recebi está absolutamente nos termos do contrato, por serviços prestados”, declarou o advogado ao site do jornal Folha de S.Paulo, admitindo que Romano o indicou para o trabalho. Todos os comprovantes atestando a devida prestação dos serviços foram enviados à PF, garante Gonçalves.

Confira a postagem de Gleisi no Facebook:

“Em relação às últimas notícias veiculadas nos meios de comunicação, a Polícia Federal NÃO atribui a mim ou ao Paulo envolvimento no caso. Ainda assim, gostaria de esclarecer:

1) Que conheço o Guilherme Gonçalves, como militante do Partido dos Trabalhadores e depois como advogado do PT e das coligações partidárias nas três campanhas eleitorais em que disputei as eleições majoritárias: 2008, 2010 e 2014.

2) Que consta em minha prestação de contas dos processos eleitorais o registro do serviço realizado e o pagamento respectivo, assim como de outros profissionais.

3) Que o escritório de Guilherme Gonçalves é conceituado e referência em direito eleitoral no Estado do Paraná, atendendo a vários partidos e candidatos.

4) Que desconheço as relações comerciais e contratuais de seu escritório.

Gleisi”

FONTE: Congresso em Foco
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