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Saúde
Veneno da cascavel é a aposta da FUNED para novo medicamento contra o estrabismo
Veneno da cascavel é a aposta da FUNED para novo medicamento contra o estrabismo
29/09/2015 12h08

Pacientes com estrabismo (doença que provoca o desalinhamento dos olhos) poderão contar com mais uma alternativa de tratamento nos próximos anos. Pesquisadores da Fundação Ezequiel Dias (Funed), em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), estão desenvolvendo um novo medicamento a partir do veneno da cascavel.

Os estudos concentram-se na ação de uma toxina – a Crotoxina – capaz de paralisar temporariamente o músculo que controla o movimento dos olhos, promovendo relaxamento e consequente equilíbrio, evitando que o olho “fuja” do alinhamento correto.

“Nas aplicações que fizemos em coelhos, percebemos que as concentrações testadas apresentaram efeitos semelhantes aos da toxina botulínica (botox), que também é empregada no tratamento do estrabismo. Não houve grandes alterações”, afirma a pesquisadora Sílvia Fialho, integrante do grupo que conduz os trabalhos com a Crotoxina.

Benefícios

Segundo ela, testes feitos na musculatura de animais maiores, como cães, também mostraram resultados parecidos com os do botox. “Já temos a comprovação da efetividade da toxina. E é importante ressaltar que todos os projetos desenvolvidos até agora foram aprovados pelos respectivos comitês de ética”, destaca Sílvia.

Semelhanças à parte, a Crotoxina poderá substituir a toxina botulínica futuramente, já que apresenta benefícios diferenciados: tempo de validade maior, por mostrar mais estabilidade na formulação; menores chances de causar reações alérgicas, em função do peso molecular menor; e efeito mais duradouro.

Outra grande vantagem, conforme a pesquisadora, é a fonte da toxina. “Ela é interessante, porque é um fármaco da biodiversidade brasileira, o que reduz os custos de produção do medicamento e favorece o desenvolvimento do país”.

Expectativa

Embora as pesquisas com a toxina extraída do veneno de cascavel estejam adiantadas, ainda não há previsão para o medicamento chegar ao mercado. Os estudos dependem, agora, de recursos para seguirem para as próximas etapas, que permitirão, dentre outras coisas, a disponibilização do remédio no Sistema Único de Saúde (SUS).

Com investimentos e financiadores, os pesquisadores da Funed poderão dar prosseguimento ao trabalho e realizar estudos não clínicos até chegarem aos testes em humanos. Existe grande expectativa em torno do avanço dos trabalhos, que começaram a ser estruturados em 1997, mas só foram retomados em 2013, com o apoio do Programa de Incentivo à Inovação do Sebrae-MG, junto à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

“Estamos na dependência de conseguir parcerias. Então, é arriscado falar em tempo (de lançamento da Crotoxina). Mas os estudos clínicos já foram aprovados pela Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa) e estão bem adiantados. Conseguindo financiamento, será bem rápido”, diz Sílvia.

FONTE: HojeemDia
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