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Eduardo Cunha faz contagem regressiva para iniciar acordo de delação
Eduardo Cunha faz contagem regressiva para iniciar acordo de delação
14/01/2017 21h46

O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha teria definido uma contagem regressiva para começar a discutir a sua delação premiada. Insatisfeito com a possibilidade de prisão de seus familiares, através de recados na direção do governo federal, Cunha estaria avaliando se seus antigos aliados continuam ou não fiéis a ele. Se até o fim deste mês ele constatar que foi abandonado, Cunha estaria então disposto a dar início aos acordos para a delação, de acordo com o Estado de S. Paulo.

Eduardo Cunha está preso deste outubro do ano passado. Na ocasião, chegou a afirmar que escreveria um livro com suas "memórias", num claro recado sobre a quantidade de informações que possui sobre importantes nomes do poder. Interlocutores destacam que se Cunha falar tudo o que sabe, poucos nomes sobrariam ilesos no atual cenário político.

Nesta sexta-feira (13), operação da Polícia Federal que teve como alvo o ex-ministro Geddel Vieira Lima se baseou justamente em informações obtidas em celular encontrado na então residência oficial de Cunha.

Interlocutores destacam que o farto material obtido no aparelho é apenas uma mostra do explosivo arquivo em posse de Cunha. Fontes também reforçam que a operação desta sexta-feira pode ter precipitado as negociações sobre a delação. A pressão sobre o ex-deputado teria aumentado sobretudo pela possibilidade de, contando o que sabe, poder diminuir as consequências jurídicas que pesam sobre ele.

A operação de sexta-feira investiga um esquema de fraudes na liberação de créditos junto à Caixa Econômica entre 2011 e 2013. À época, Geddel era vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa. De acordo com a PF, Geddel atuou em conjunto com Eduardo Cunha (PMDB), Fábio Cleto (então vice-presidente da Caixa) e o doleiro Lúcio Funaro para beneficiar empresas.

Dentre as empresas citadas como beneficiárias do esquema estão o grupo J&F, a BR Vias (pertencente ao Grupo Constantino e alvo da Operação Lava Jato), a Oeste Sul Empreendimentos Imobiliários, Digibrás, Inepar, Grupo Bertin, entre outras. Em troca, elas pagavam propinas. A informação consta no despacho do juiz Vallisney de Souza Lima, que autorizou a operação. 

FONTE: Estadao
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