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Eike admite doação de US$ 2,5 milhões ao PT
Eike admite doação de US$ 2,5 milhões ao PT
01/12/2017 00h16

Acusado de pagar propinas e cometer crimes financeiros, o empresário Eike Batista reiterou ontem à CPI do BNDES, no Senado, que fez doação de US$ 2,5 milhões para quitar gastos de campanha do PT, a pedido do então ministro da Fazenda, Guido Mantega, em 2012. Eike não respondeu, no entanto, se repassou, via caixa dois, R$ 5 milhões para a campanha de Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo, conforme declarou Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana, em depoimento às autoridades.

Sobre a questão envolvendo Haddad, após consultar os dois advogados que o acompanhavam, o empresário se limitou a dizer:

— Estou prestando esclarecimentos às devidas autoridades.

O silêncio de Eike irritou o senador Lasier Martins (PSD-RS):

— Para nós, não. Nós não somos autoridades? O senhor sabe que CPI tem valor equivalente a processo penal? — perguntou o senador, de forma enfática.

Questionado se as doações a campanhas políticas tinham como objetivo receber algum auxílio nos negócios, Eike afirmou que o interesse do grupo era chamar a atenção do governo para os próprios projetos:

— No fundo, o grupo estava interessado em fazer o governo enxergar a importância estratégica dos projetos.

Eike afirmou que não é “rato político” nem “filhote de partido” aos poucos senadores presentes ao depoimento — além do relator, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e do presidente da CPI, Roberto Rocha (PSDBMA), passaram pela reunião apenas os senadores Jorge Viana (PT-AC) e Lasier Martins.

O empresário alegou que a contribuição do BNDES nos negócios de suas empresas na área infraestrutura e energia no país foi pequena — de cerca de R$ 15 bilhões em projetos que consumiram R$ 120 bilhões. Afirmou, ainda, que deu garantias para todos os empréstimos, por meio de bancos privados e com o próprio patrimônio.

— Dinheiro do BNDES é barato? É. Mas quando você tem que usar bancos privados para dar garantia, encarece até 2% — declarou.

Eike disse ainda que a liberação de seus processos no banco estatal de fomento demoravam cerca de oito meses, dentro da burocracia normal e sem qualquer privilégio, e considera que as condições oferecidas a ele eram piores que as dispensadas a outras empresas brasileiras com negócios fora do Brasil. ‘ERRO’, DIZ EIKE SOBRE PRISÃO Considerado há poucos anos um dos homens mais ricos do país — o empresário perdeu praticamente todo o patrimônio de US$ 34 bilhões —, Eike criticou a ingerência política nos negócios estruturantes no Brasil, sobretudo na Petrobras.

— A Petrobras tem excelentes técnicos, mas precisam ser chamados: “Vem cá, isso foi estudado em detalhes?” Não pode ser uma decisão política, e sim técnica.

Ao ser questionado pelo senador Lasier sobre o motivo de sua prisão, Eike manteve-se em silêncio.

— Não é um depoimento livre, é condicionado — reclamou o parlamentar.

— Nos países que passam por esses processos, revoluções, acontecem erros — tentou justificar Eike.

FONTE: OGlobo
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