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Janot diz que Dodge e Segóvia estão desacelerando investigações de corrupção
ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot
Janot diz que Dodge e Segóvia estão desacelerando investigações de corrupção
02/12/2017 20h25

O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot e outras duas autoridades graduadas disseram que os novos encarregados pela PGR e pela Polícia Federal estão restringindo as investigações da operação Lava Jato.

Janot, que ocupou o cargo até setembro e segue no Ministério Público Federal, disse à Reuters nesta semana que o presidente Michel Temer, a quem ele denunciou duas vezes, nomeou o novo diretor da PF especificamente para desviar as investigações.

Separadamente, duas autoridades responsáveis pelo cumprimento da lei, que pediram para não ser identificadas, disseram que Raquel Dodge, a substituta de Janot, instruiu alguns dos principais procuradores federais a se afastarem dos inquéritos sobre corrupção e a pararem de falar publicamente sobre os esforços de combate à corrupção.

“Segóvia veio para cumprir uma missão: de desviar o foco dessa investigação. Ao que me parece, pelas declarações que deu, ele tem a missão de desacreditar as investigações ou as investigações que envolvem essas altas autoridades da República brasileira. E nas investigações ele pode ter o efeito de atrapalhar sim”, disse Janot.

As declarações foram feitas à Reuters durante entrevistas sobre mudanças em curso entre funcionários do primeiro escalão da justiça. Elas ocorrem no momento em que investigadores reagem ao que veem como tentativas do governo Temer e do Congresso para aniquilar os esforços anticorrupção na esteira das investigações históricas dos últimos anos.

Dodge e Segóvia negaram enfaticamente que os organismos que comandam pararão de investigar a corrupção – e a natureza abrangente de muitos inquéritos, realizados por investigadores em dezenas de escritórios de todo o país, tornaria qualquer esforço combinado de interrompê-los improvável.

Mas a demonstração inédita de descontentamento de Janot e a insatisfação crescente expressada por outras autoridades destacadas da justiça revelam uma crescente divergência nos níveis mais altos da aplicação da lei, em um momento em que investigadores acreditam que Temer e aliados no Congresso querem anular as investigações.

DESACELERAÇÃO

Embora seja cedo para julgar as atuações de Dodge e Segóvia, alguns procuradores e investigadores policiais dizem que já estão vendo uma redução considerável nos procedimentos necessários para prosseguir com alguns casos.

Janot, por exemplo, disse que o gabinete da procuradora-geral da República tem encaminhado muito menos documentos ao Supremo Tribunal Federal (STF) do que se esperaria, levando em conta a quantidade de casos que assumiu. Os documentos são um passo essencial em muitas investigações de vulto, porque só o Supremo pode autorizar inquéritos envolvendo autoridades federais eleitas.

Uma porta-voz do STF não respondeu a pedido por comentário sobre o volume de documentos encaminhados.

Antes do fim de seu mandato, a Procuradoria-Geral enviou, este ano, uma média de 302 solicitações relacionadas às investigações de corrupção da Lava Jato ao STF por mês, disse Janot.

O gabinete de Dodge disse que apresentou um total de 450 solicitações desde que ela assumiu o cargo no meio de setembro, representando uma média de 180 por mês e uma queda de aproximadamente 40 por cento.

Alguns especialistas dizem ser cedo demais para saber se um freio generalizado nas investigações de corrupção está sendo planejado ou se isso é sequer possível, especialmente considerando o número de investigadores e procuradores tratando de casos em todo o país.

Mesmo assim, os envolvidos no dia a dia dos casos em andamento se preocupam com qualquer perspectiva de desaceleração, particularmente tendo as eleições de outubro no horizonte.

FONTE: Com informações|Reuters
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