São João do Piauí, 23 de setembro de 2018
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Piauí
"Governador continua desrespeitando as vítimas da tragédia de Algodões", afirma Luciano Nunes
30/05/2018 15h21

Na noite desta segunda-feira, 28 de maio, no Assentamento Boíba, em Cocal da Estação, foi realizada missa em memória às vítimas do rompimento da Barragem de Algodões I. O acidente aconteceu em 2009 e é considerado um dos maiores desastres já ocorridos na região Norte. 

Após quase uma década os moradores ainda sofrem com as perdas de entes queridos e com a dificuldade no pagamento da indenização que o governo do Piauí deve às famílias. Esse direito só foi conquistado em 2017, depois de uma difícil luta na justiça. Segundo os moradores, as parcelas sempre atrasam.

"O governo concordou em pagar as indenizações divididas em 30 parcelas. No entanto, cada parcela a receber tem acompanhado uma série de dificuldades. Nunca o governo tem dinheiro em caixa. Então a gente precisa brigar, precisa ir lá, precisa manifestar, precisa ameaçar, porque do contrário, não se paga", explica o presidente da Associação das Vítimas e Amigos da Barragem de Algodões (AVABA), professor Corcino Medeiros.  

O governador Wellington Dias e a presidente da Empresa da Gestão de Recursos do Piauí (Emgerpi), na época, foram acusados de homicídio culposo pela morte de nove pessoas em processo nunca sentenciado. 

Presente na missa em homenagem às vítimas, o pré-candidato ao Governo do Estado, Luciano Nunes, disse que o atraso no pagamento das parcelas é um descaso e falta de respeito com o sofrimento das vítimas e lembrou que o desastre poderia ter sido evitado pelo governo na época se o mesmo não tivesse assegurado e afirmado que as famílias não corriam risco, provocando uma tragédia jamais vista no Piauí.

"Essas famílias perderam parte das suas vidas, porque há alguns que se foram e outros que perderam além dos bens materiais. Eles têm o trauma. Tiveram que reconstruir toda a sua vida, reprogramar tudo. Alguns sofreram de depressão durante algum tempo, alguns sofrem até hoje. Então, são famílias com vidas que jamais serão as mesmas de antes do acidente. A indenização é uma forma de minimizar as perdas materiais dessas famílias e foi fruto de um acordo e nem isso o governo tem cumprido sem atrasos", afirmou.

Para o professor Corcino não há motivo para atrasos ou resistências ao pagamento da indenização. "Na verdade era uma coisa obrigatória, em primeiro lugar, porque  está no orçamento, é aprovado por todos, inclusive pelo próprio governador. Então, não tinha porquê negar. Mas mesmo assim ele insiste em criar dificuldade. Hoje nós estamos na 13ª parcela. Venceu dia 25, de acordo com a determinação judicial. Dia 25 de cada mês ele tem que pagar a parcela, mas até agora essa 13ª parcela não saiu", lembrou.

Corcino disse que, por toda a luta que a associação travou, não deixará de buscar os direitos da comunidade até que o que acordo seja cumprido como se deve. "Nós não cessaremos de lutar enquanto vidas tivermos vamos lutar até o governo pagar o último tostão, aí então ficaremos quietos. Foi por causa da má gestão dele que aconteceu esse terrível desastre. O governo Wellington Dias nunca nos recebeu e nem pretende", afirmou o professor que salvou a si mesmo e família se agarrando a copa de um cajueiro ao ser atingido por uma onda de 20 metros.

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