São João do Piauí, 18 de dezembro de 2018
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Piauí
CRM desmascara secretário de saúde depois de aúdio vazado e entrevista na TV
25/08/2018 23h20

Um áudio em que a diretora do Hospital de Campo Maior relata o fechamento de 30 leitos e a falta de estrutura e recursos foi o que bastou para expor a farsa dos investimentos em Saúde no Piauí. E uma fiscalização do Conselho Regional de Medicina no local foi o necessário para mostrar que um secretário de Estado é capaz de ir à TV mentir ao vivo para esconder o desastre de sua gestão.

O Ministério Público Estadual acompanhou o CRM a Campo Maior para uma fiscalização na unidade hospitalar. Na última quinta-feira (23), o secretário de Saúde Florentino Neto fez uma maratona de entrevistas em TVs, portais e jornais do Piauí negando uma denúncia feita num grupo de WhatsApp. A diretora Jardênia Ribeiro falou em “falência” do hospital.

Afirmando que não haveria fechamento de leitos, falta de remédios, insumo alimentação nem recursos para pagar fornecedores, o secretário garantiu o perfeito funcionamento do hospital. “Foi um mal entendido”, alegou ao vivo na TV Clube. A mentira não durou três dias.

Veja o vídeo em que o secretário mente numa entrevista ao vivo:  

O MPE e o CRM constataram a falta de medicamentos, problemas estruturais e falta de ambulância adequada. Além disso, profissionais sem contrato atuando no hospital e recursos que mal cobrem a folha de pagamento. O relatório do CRM aponta que os recursos não são suficientes para cobrir as despesas necessárias com insumos e medicamentos.

E também falta uma série de medicamentos e a escala médica encontra-se reduzida, principalmente para cirurgias. A fiscalização contou com a presença da presidente do CRM-PI, Drª Mírian Palha Dias Parente, do vice-presidente, Dr. Dagoberto Barros da Silveira, além do promotor de Justiça da Comarca de Campo Maior, Dr. Maurício Gomes de Sousa, e corpo técnico do CRM-PI.

De acordo com o CRM, o diretor financeiro do hospital, Robert Sousa Alves, informou que mensalmente os fornecedores estão sendo pagos apenas com parte da dívida, pois o montante do recurso que chega não é suficiente para cobrir as despesas com insumos e medicamentos.

O Conselho informou que em agosto, o recurso que entrou na conta do hospital foi de R$ 402 mil (referente a julho), aproximadamente R$ 239 mil são para pagar a folha de pagamento, além de outras despesas e somente sobram R$ 70 mil para pagar fornecedores, recurso nem de longe suficiente para tal.

Segundo o CRM, a direção do hospital disse que são necessários mensalmente um montante de R$ 120 mil somente para a compra de medicamentos e material hospitalar. Também foi informado que a dívida com fornecedores de janeiro a agosto desse ano já passa de R$ 400 mil.

Além disso, o hospital que possui 110 leitos, contaria com 140 profissionais, grande parte sem nenhum vínculo e nem contrato trabalhista, mas que recebem salários, entre eles médicos, enfermeiros, técnicos e pessoal de serviços gerais.

Recentemente, segundo o CRM, um dos fornecedores de material descartável para a distribuição de quentinhas da cantina do hospital deixou de fornecer por falta de pagamento. A fiscalização não registrou falta de alimentos para manter o hospital, no entanto, a farmácia conta com uma lista com vários medicamentos que estavam em falta no momento da fiscalização.

Outro problema observado foi que não foi renovado o contrato com a empresa responsável pelos dosímetros de radiação, utilizados pelos técnicos em radiologia por falta de verba, comprometendo a proteção contra danos à saúde daqueles profissionais.

O CRM informou que o hospital não conta com nenhuma ambulância de suporte avançado, apenas duas ambulâncias básicas; no momento da fiscalização, somente uma ambulância se encontrava presente e estaria em péssimas condições de uso.

As cirurgias de algumas especialidades médicas, como ortopedia não são realizadas diariamente, o que preocupou o CRM porque a unidade de saúde atende Campo Maior e mais 15 municípios circunvizinhos. Quando não é possível realizar alguns tipos de cirurgias, os pacientes passam por regulação e são transferidos para Teresina.

Hospital está com condicionadores de ar quebrados e pacientes sofrem com o calor. O hospital também enfrenta vários problemas estruturais, como infiltrações, paredes e tetos deteriorados e as enfermarias possuem ar condicionados quebrados e os pacientes enfrentam o calor usando ventiladores.

O CRM irá produzir um relatório e, dentro de uma semana, repassar as informações ao hospital e ao governo do estado, que será notificado para tomar as providências. O prazo deve ser de 30 dias para que as soluções sejam apresentadas. Caso isso não aconteça, um pedido de interdição pode acontecer.

A Sesapi informou em nota que possui verba suficiente para o hospital e que utlizará o relatório do CRM para garantir as melhorias ao local.

FONTE: Politica Dinâmica
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