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Haitianos refugiados em Manaus começam a trazer os filhos para o país
Haitianos refugiados em Manaus começam a trazer os filhos para o país
25/12/2014 08h38
Passados quase cinco anos do terremoto que devastou o Haiti, em janeiro de 2010, os haitianos refugiados no Brasil começam a dar os primeiros passos para a estabilidade. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apontam que entre 2010 e 2014, em Manaus, foram expedidas 9.016 Carteiras de Trabalho para haitianos. Na época do desastre, os homens vieram para o Brasil, deixando para trás mulheres e filhos. Agora, com emprego, começam a trazer suas famílias.

Kendia Saloman, de 9 anos, chegou a Manaus em agosto de 2013. O pai foi o primeiro da família a sair do Haiti, ainda em 2011, e somente dois anos depois conseguiu trazer a mulher e as duas filhas. No Haiti, ainda estão dois irmãos, que só devem chegar ao Brasil em 2015. Em Manaus, Kendia passou a frequentar a escola este ano. A rede municipal de ensino, segundo informações da Secretaria municipal de Educação (Semed), tem 77 haitianos matriculados. A secretaria, segundo a coordenadora de Diversidade da Semed, Lídia Helena Mendes, passou a receber as crianças estrangeiras no fim de 2013.

Kendia estuda na Escola Municipal Waldir Garcia, no bairro São Geraldo. É a unidade que abriga o maior número de haitianos: 16. Todos chegaram a Manaus falando apenas o crioulo e, de acordo com a gestora Lúcia Cristina Santos, foi preciso muito esforço para que se adaptassem:

— É um grande desafio para eles e para a escola, uma vez que não falam o nosso idioma e nós não falamos o deles. O processo de alfabetização é desafiador. No início, a gente utiliza a mímica, partindo do trabalho de assimilação de objetivos, para que eles aprendam palavras do cotidiano como bebedouro, banheiro, água, por exemplo. Só depois disso, quando estabelecemos um contato básico, é que damos início à alfabetização, pelas vogais, consoantes, sílabas e palavras para, assim, chegarmos à leitura e à escrita.

O aprendizado das crianças haitianas chamou a atenção na Avaliação do Desempenho Escolar (ADE). Aplicada em novembro, em todas as escolas da rede pela Secretaria de Educação do Município, a ADE serve como instrumento de mensuração do nível de aprendizagem de cada escola. Das oito turmas da escola Waldir Garcia, duas tiveram alunos haitianos em primeiro lugar na avaliação.

TRABALHO SEM CARTEIRA ASSINADA

Ainda que muitos haitianos já tenham conseguido levar a família para Manaus, outros tantos ainda precisam de ajuda para se reerguer. A ONG Ama Haiti, criada em 2011, abriga, numa casa de três andares, no bairro Parque das Laranjeiras, 40 homens, a maioria recém-chegada do Haiti. Mas Pierre Faner, de 57 anos, está em Manaus desde setembro de 2013 e ainda tem dificuldades para se comunicar em português. Seu último trabalho foi como pedreiro numa construtora que revitalizou e ampliou as calçadas ao redor do estádio Arena da Amazônia, um dos palcos da Copa do Mundo.

— Fiz as calçadas, ganhei sem carteira assinada — lembra Faner.

Coordenador do projeto da ONG, Michael Pessoa conta que a maior dificuldade dos haitianos é conseguir emprego dentro das leis trabalhistas:

— Os patrões querem contratar avulso, sem assinar a carteira deles, apesar de todos estarem com a documentação regularizada e aptos a ter a Carteira de Trabalho assinada. Assim, há os que preferem trabalhar como autônomo, vendendo picolé, por exemplo, do que trabalhar sem carteira assinada, sem segurança.

FONTE: Com informações | O Globo
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