São João do Piauí, 20 de julho de 2024
Joe Santos

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Tsunami de lamas em Petrópolis: os moradores são (ir)responsáveis?
Tsunami de lamas em Petrópolis: os moradores são (ir)responsáveis?
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
22/02/2022 17h36

A situação dos moradores de encostas, na cidade de Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro não é nada boa. Isso porque um tsunami de lamas varreu não só o entulho das ruas, como o que encontrava pela frente: carros, trailers e pessoas. Nem memo os estabelecimentos comerciais ficaram livres da ação da natureza. A lama invadiu e depositou nesses estabelecimentos grandes quantidades de lixo que descia dos morros.

A situação de Petrópolis é calamitosa e não pode ser, de longe, analisada sob o olhar raso de quem acredita que os moradores que construíram suas casas no pé dos morros as fizeram porque são irresponsáveis. Não é por aí. O buraco é mais embaixo.

Para não enveredar na análise rasa e desconexa da situação, é importante mencionar que a geografia da cidade é acidentada, o que acaba facilitando os acidentes, através de desmoronamentos sobre as residências construídas nos pés dos morros, em épocas chuvosas. E isso se explica, não pela (ir)responsabilidade dos moradores, mas por um aglomerado de fatores, como déficit habitacional, inchaço urbano, moradias construídas desordenadamente ao longo dessas encostas.

O boom populacional também é um fator concorrente para que o crescimento urbano se expanda e atinja locais acidentados e críticos, através de construções desordenadas. Além disso, a dificuldade de comprar um terreno em uma área nobre, ou senão, migrar de uma região para outra menos acidentada e segura são aspectos que retiram dos ditos moradores irresponsáveis.

A ação de monitoramento pela defesa civil do Estado talvez não seja tão necessária, visto que, mesmo despois de as áreas serem consideradas impróprias para construção de moradias, ou já terem sido condenadas pelo órgão, moradores insistem em permanecer no local, porque não têm para onde ir.

Num primeiro momento, querer culpabilizar os moradores que não têm para onde ir, chamando-os de (ir)responsáveis por construírem em áreas de risco, parece uma opção para tentar explicar os descasos e a falta de política de investimento em infraestrutura urbana. Mas, a bem da verdade, os fatores que dão causa a esse tsunami de lamas sobre moradias fazendo vitimas fatais estão sempre ocultos ou ausentes nas análises de quem se propõe dar opinião.

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