São João do Piauí, 20 de setembro de 2020
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Por: Joe
Em Picos, equipes do maior estudo nacional sobre coronavírus são atacadas
Em Picos, equipes do maior estudo nacional sobre coronavírus são atacadas
17/05/2020 10h44

Próximo da sua finalização, o maior estudo mundial sobre o novo coronavírus, "Evolução da Prevalência de Infecção por COVID-19", coordenado pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas e financiado pelo Ministério da Saúde, sofre resistência em alguns municípios para a coleta de informações. Equipes de pesquisadores são detidas pela polícia e impedidas de trabalhar por governos municipais, que alegam precisar autorizar a pesquisa.

As Secretarias Estaduais de Saúde, assim como o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), receberam ofício do Ministério da Saúde sobre a realização da pesquisa. Mesmo assim, segundo Pedro Hallal, reitor da universidade e coordenador do projeto, em cerca de 40 cidades as prefeituras impedem o trabalho dos pesquisadores.

— Estamos em uma operação de guerra, não precisamos de autorização de cada prefeitura e das secretarias. É uma ação do Ministério da Saúde. Alguns requerem um protagonismo para autorizar, mas na verdade, a autorização ocorre na Comissão Nacional de Ética e no Ministério, que enviou ofício sobre o estudo — destaca o coordenador.

Para fazer parte das equipe, todos os pesquisadores precisaram realizar testes para o novo coronavírus para não representarem um risco de contaminação para a população. Apesar disso, algumas Secretarias Municipais de Saúde exigiram novos testes e uma quarentena; algumas equipes chegaram a ser detidas e impedidas de entrar em municípios. Hallal destaca que há uma informação oficial no ofício informando que os testes já foram realizados. Os profissionais estão devidamente protegidos com os equipamentos de proteção individual (EPIs).

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— O que não pode ser feito é esconder a postura autoritária atrás das regras de isolamento. Tentamos justamente estudar a doença que gera o isolamento. Tomamos os cuidados para evitar os riscos de contaminação. As equipes foram testadas e usam os equipamentos de segurança. As medidas de isolamento não justificam essas dificuldades. Em algumas cidades falaram que precisaríamos de uma autorização formal das secretarias. Existe uma postura de xerife para proibir o trabalho das equipes. As secretarias, prefeituras e força de segurança costumam ser os maiores parceiros e os mais interessados no estudo, mas atrapalham o seu andamento em alguns lugares — destaca o epidemiologista — Temos profissionais de braços cruzados porque não podem atuar. atrapalha o estudo e desperdiça o dinheiro público investido na ação. 

O estudo tem destaque na página oficial do Ministério, que esclarece que financia a pesquisa. A etapa atual tinha finalização prevista para este domingo, mas será prolongada até o dia 19. As próximas etapas da pesquisa estão previstas para ocorrer nos dias 28 e 29 de maio, e 11 e 12 de junho.

Em Santarém (PA), por exemplo, a polícia levou a equipe da pesquisa para a delegacia e apreendeu os testes para a Covid-19.  O mesmo aconteceu em São José dos Campos (SP), São Mateus (ES), Imperatriz (MA), Picos (PI), Patos (PB), Natal (RN), Crateús e Serra Talhada (CE), Rio Verde (GO), Cachoeiro do Itapemirim (ES), Caçador (SC), entre outros locais. Em Presidente Prudente (SP), Guarapuava (PR), Cáceres (MT), por exemplo, autoridades municipais alegam precisar liberar a pesquisa. Macaé (RJ) é destacado por Hallal como um dos locais com maiores dificuldades no Rio de Janeiro. Lá, apenas 10 dos 250 testes previstos foram realizados.

FONTE: OGlobo
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