São João do Piauí, 31 de outubro de 2020
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Polícia
Weslley Moreira
Por: Weslley Moreira
Fundador da Ricardo Eletro é alvo de operação contra sonegação de cerca de R$ 400 milhões
Fundador da Ricardo Eletro é alvo de operação contra sonegação de cerca de R$ 400 milhões
08/07/2020 09h48

O fundador da rede de lojas Ricardo Eletro, Ricardo Nunes, é um dos alvos da operação desencadeada na manhã desta quarta-feira (8) na Grande BH e em São Paulo contra sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. A ação é do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e da Receita Estadual, com apoio da Polícia Civil e da Receita Estadual. As investigações apontam que cerca de R$400 milhões foram sonegados. A operação foi batizada de Direto com o Dono.

São cumpridos três mandados de prisão e 14 de busca e apreensão. Além de Ricardo Nunes e da filha dele, um gerente considerado braço-direito do empresário está entre procurados.  

Os agentes estão no bairro São Mateus, em Contagem, na Grande BH, no Centro de Distribuição da Ricardo Eletro. Os mandados são cumpridos em também em Nova Lima, Belo Horizonte e no estado de São Paulo.

Ricardo Nunes já chegou a ter 700 lojas em 17 estados do país. Além dos mandados de prisão, a Justiça determinou o sequestro de bens imóveis do dono do negócio, avaliados em cerca de R$ 60 milhões, com a finalidade de ressarcir o dano causado ao Estado de Minas Gerais.

Ainda conforme o MPMG, a investigação ganhou força após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de novembro de 2019, que definiu como crime a apropriação de ICMS cobrado de consumidores em geral e não repassados ao estado.

“A fraude, segundo as investigações, ocorria da seguinte forma: as empresas da rede de varejo cobravam dos consumidores, embutido no preço dos produtos, o valor correspondente ao imposto. No entanto, os investigados não faziam o repasse e se apropriavam desses valores. O montante da sonegação com o Estado de Minas Gerais chega a R$ 400 milhões, mas a mesma rede tem dívidas vultosas em praticamente todos os estados onde possui filiais”, diz nota do MPMG. 

Ainda conforme o órgão, a empresa encontra-se em situação de recuperação extrajudicial, sem condições de arcar com suas dívidas, já tendo fechado diversas unidades e demitido dezenas de trabalhadores. Em contrapartida, o principal dono do negócio possui dezenas de imóveis, participações em shoppings na Região Metropolitana de Belo Horizonte e fazendas. Os bens imóveis não se encontram registrados em nome do investigado, mas de suas filhas, mãe e até de um irmão, que também são alvos da operação de hoje. O crescimento vertiginoso do patrimônio individual do principal sócio ocorreu na mesma época em que os crimes tributários eram praticados, o que caracteriza, segundo a Força-Tarefa, crime de lavagem de dinheiro.

A operação conta com a participação de três promotores de Justiça, 60 auditores-fiscais da Receita Estadual, quatro delegados e 55 investigadores da Polícia Civil. 

FONTE: itatiaia
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